Perfuração Direcional Hidráulica (HDD) Interferências Subterrâneas.

A importância de um confiável cadastro de interferências subterrâneas.

Junto com os benefícios, a utilização do subsolo traz à tona diversos desafios

A utilização do espaço subterrâneo urbano tem sido adotada constantemente, devido ao crescimento populacional nos centros das metrópoles e pela saturação do espaço em superfície para as obras de infraestrutura. O significativo aumento do uso de serviços que necessitam de redes subterrâneas deu-se na última década como redes de telefonia, internet, infovias próprias, além de outros serviços que precisam diretamente deste espaço como o gás canalizado, energia elétrica, esgoto e água canalizada.

Projetos subterrâneos requerem um profundo conhecimento das condições geológico-geotécnicas, assim como das técnicas para execução de túneis e tratamento de solos. Há também o fator de monitoramento durante a execução e término da obra, que exige conhecimentos dos métodos construtivos projetados para garantir o sucesso e principalmente a segurança da obra. Essa tendência surge para gerar alternativas inclusive de infraestrutura e mobilidade, deixando o espaço da superfície para outros fins como a habitação.

“No Brasil o uso do espaço subterrâneo está aumentando nos centros urbanos, seguindo uma tendência mundial, que preconiza o espaço subterrâneo para obras de infraestrutura de mobilidade e de armazenamento, liberando a superfície das cidades para usos mais nobres. As vantagens são exatamente priorizar o espaço de superfície para funções e atividades que contribuem para o aumento da qualidade de vida das cidades, bem como garantir espaços subterrâneos para a mobilidade urbana, tais como vias expressas, metrôs, redes de água e esgoto”, destaca o professor da UnB (Universidade de Brasília) e presidente da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica), André de Pacheco Assis.

Já para o diretor da empresa Bureau de Projetos e ex-presidente da ABMS, Arsenio Negro, apesar de necessária e vantajosa, essa prática precisa ser adotada com mais frequência. “Utiliza-se muito pouco o espaço subterrâneo no Brasil. Como as obras subterrâneas têm custo direto maior e o país é pobre, opta-se frequentemente pela solução em superfície ou aérea, mas esquece-se dos custos indiretos que na opção subterrânea são em geral menores, além de representar maiores benefícios. É perceptível que nas regiões mais ricas do País (São Paulo e Rio de Janeiro) há um crescente uso do espaço subtérreo. Esta percepção já existe na comunidade técnica internacional e refletiu-se na escolha do Brasil como sede do próximo WTC (World Tunnel Congress) que acontecerá em 2014”, comenta.

Na cidade de São Paulo existem registros de ocupação do subsolo em meados do século XVIII, para implantação de rede de adução e abastecimento. Esse conceito perdura até hoje com uma ocupação do subsolo urbano intensificada por obras de grande porte como obras viárias, estacionamentos, sistemas de transporte de alta capacidade (metrô) e subsolos de edifícios comerciais e residenciais. Entre as principais atribuições das obras subterrâneas está a melhoria da qualidade da vida urbana, que gera uma diminuição no congestionamento do espaço superficial e aéreo, além da poluição atmosférica, sonora e visual.

Para o diretor institucional da ABRATT (Associação Brasileira de Tecnologia não Destrutiva) e membro do Comitê Executivo da ISTT (International Society for Trenchless Technology), Sérgio Augusto Palazzo é evidente para os moradores das grandes cidades, assim como das cidades interioranas que o uso do espaço na superfície urbana é o motivo de muita desordem no tráfego, comércio e indústria. “Ir ‘para baixo da terra’, na expressão popular, parece uma decisão indiscutível, mas como qualquer outro espaço a pesquisa, o planejamento e a gestão são ferramentas indispensáveis”, enfatiza.

Vantagens

“Certamente é necessário evoluir e caminhar na direção de um maior uso do espaço subterrâneo nos meios urbanos, como forma de melhorar a qualidade de vida das cidades. Isso por várias razões como transporte de massa que traz grandes benefícios como mobilidade garantida, confiabilidade, pontualidade e menor tempo de viagem. A troca dos meios de transportes de superfície pelos subterrâneos apresenta a valorização imobiliária na região circunvizinha (ao contrário, regiões vizinhas a elevados e vias de superfície normalmente se desvalorizam)”, aponta Assis.

Ele também acrescenta que os estacionamentos subterrâneos podem ser instalados em locais estratégicos, sem tomar o espaço de superfície mais caro da cidade, que são as praças, os parques e os edifícios, que poderiam ser utilizados para moradias e fins comerciais. Os cabos elétricos subterrâneos também são essenciais em zonas de apelo turístico, bem como outros usos menos comuns como os túneis para controle de inundações, armazenamento de água, petróleo e seus derivados.

Em São Paulo, por exemplo, existe uma antiga e longa discussão sobre a remoção dos postes e das redes que se encontram pendentes neles, para a sua instalação no subsolo, esse projeto demandaria o uso de milhares de quilômetros no subterrâneo. A capital possui hoje mais de 1,5 milhão de postes em suas ruas e avenidas. “Postes espaçados em 40 m um dos outros representam milhares de quilômetros no País, em redes aéreas. O custo da rede enterrada é maior do que a da rede aérea, a recuperação do investimento também, entretanto milhões de reais são perdidos na cadeia produtiva e no custo social com a interrupção do fornecimento da energia, por exemplo”, explica Palazzo.

Para ele, há muito que se “enterrar” nos subsolos das cidades, pois o Brasil está longe de cumprir as exigências da Universalização do Saneamento (levar água tratada, coletar e tratar esgotos de toda a população). “Artigos veiculados nos últimos tempos indicam que no ritmo atual serão necessários mais de um século para o cumprimento destas exigências. Portanto, é preciso ocupar o subsolo para a instalação dessas redes, já que o Brasil não tem nada, mas ao mesmo tempo temos o gás natural que hoje prioriza a distribuição domiciliar, os sistemas de telecomunicações com bandas largas, a microdrenagem (a maioria das cidades não possuem), e ainda a pressão para que os postes que sustentam linhas aéreas de energia e comunicação entrem neste âmbito. Dessa forma, se houver descaso, o caos poderá ser maior e levará a situações irrecuperáveis (custos, danos etc.)”.

Outro enfoque sugere que o espaço subterrâneo seja também ocupado para a implantação de reservatórios naturais e estocagem de água, para melhorar as condições da superfície. Essas ações estão inclusas no termo “Era Ambiental de Uso do Espaço Subterrâneo”, que se caracteriza pelo uso de infraestrutura subterrânea, principalmente de mobilidade e de armazenamento, como forma de preservar o espaço de superfície das cidades para outros fins. O componente principal é a sustentabilidade, que está ligada principalmente a economia de energia e de custos.

Desafios

Como em qualquer técnica, método ou empreendimento, há desvantagens, e neste caso elas estão relacionadas com a complexidade destas obras, que exigem planejamento, projetos acurados, operação segura e construções de qualidade e bem gerenciadas. O Brasil, ainda está em fase de amadurecimento quanto ao uso dos espaços subterrâneos urbanos, porém o País tem hoje muitas obras em andamento, como o projeto do Porto Maravilha no Rio de Janeiro, onde estão sendo construídos diversos empreendimentos subterrâneos para a revitalização de uma parte do centro da cidade.

“Se o rigor aplicado à engenharia não for cumprido, os riscos existem e acidentes podem ocorrer. Para que esta situação seja mitigada, o primeiro passo é reconhecer que estamos diante de obras complexas. A partir daí, temos que recorrer à austeridade dos estudos de engenharia para todas as fases do empreendimento, fazer as investigações geológico-geotécnicas de forma abrangente antes da obra e complementá-las com mapeamentos e investigações durante a execução do projeto. Mas também é necessário previamente pensar nos possíveis cenários e estar preparado para eles durante todo o processo construtivo. Isto requer gestão de risco e gerenciamento de construção, com planos de ações de contingência e emergência”, explica Assis.

Ele acredita que não há segredos, deve-se fazer o que já é conhecido e preconizado. Primeiro o planejamento de todas as etapas de projeto do empreendimento, desde a concepção da obra, projeto básico, licitação e a construção até a operação. “Particularmente, as maiores falhas estão na fase de projetos pré-licitação, inclusive nas investigações. É necessário valorizar os estudos de projeto como forma de analisar alternativas, possíveis métodos construtivos e cenários. Também durante a obra, a função do projeto é fundamental para complementar as investigações, adequar e calibrar o projeto inicialmente proposto, bem como analisar o comportamento e ajustar os cenários”, complementa.

Já Arsenio Negro afirma que fora o desafio de viabilização econômica do empreendimento, que é uma enorme questão, há a gestão de interferências existentes na subsuperfície que complica o acesso e a implantação de sistemas subterrâneos rasos, bem como as ocorrências de contaminação química do solo e da água subterrânea em áreas públicas das metrópoles. “O primeiro aspecto foi abordado no capítulo 20 do livro publicado pela ABMS em 2012 ‘Twin Cities: Solos das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Curitiba’, onde é apresentada uma proposta de cadastro de interferências de utilidades públicas na cidade de São Paulo. O segundo aspecto é tratado no capítulo 18 do mesmo livro, em que são citados os problemas decorrentes de implantações de obras em terrenos contaminados, os riscos envolvidos e a sua gestão”, lembra.

Além desses dois fatores, que aumentam os riscos de uma escavação subterrânea, há a fonte clássica de risco na escavação de túneis que é a constatação durante a obra de condições geológicas inesperadas e desfavoráveis, isto é, condições não antecipadas pelas investigações geológicas prévias (às vezes, pobres, insuficientes e até mesmo inexistentes). Boas investigações prévias sobre a geologia, interferência ou contaminação do terreno, reduzem de forma elevada este risco. O acompanhamento técnico adequado e sua monitoração no campo também mitigam o perigo durante a obra.

Regulamentação

“Quem não registra, não controla, e quem não controla não gerencia, portanto o maior desafio é o registro da ‘população subterrânea de tubulações de todos os serviços’, o que em países desenvolvidos é jogado na conta dos proprietários dessas redes, para que tomem conta dos seus ativos, não há relacionamento entre eles e o setor público, pois o setor público não tem recursos para cumprir essa responsabilidade. O governo não consegue cuidar de ativos mais simples, como rodovias, ferrovias e aeroportos”, analisa Palazzo.

O município não tem o poder de condicionar a instalação de equipamentos, nos espaços aéreos adjacentes ao leito das vias públicas. O mesmo acontece com as obras executadas no subsolo. No Brasil, esse espaço subterrâneo pertence à União, porém na prática o que vale é quem constrói primeiro, ou seja, se um edifício possui três subsolos, outro agente pode utilizar o espaço abaixo, desde que assegure condições de segurança. A regulação pode ser favorável, visto que não garante reserva de domínio do espaço subterrâneo, entretanto estabelece um cadastro e mapeamentos confiáveis para o planejamento futuro do uso do subsolo.

Em São Paulo (SP) existe o Projeto de Lei nº 13.614/03, que estabelece diretrizes para a utilização de vias públicas, respectivos subsolos e espaços aéreos e obras de arte, para implantação de equipamentos de infraestrutura urbana. Já em outras cidades como Porto Alegre (RS) existe a Lei de Licenciamento Ambiental, nº 8.267, que objetiva organizar a ocupação do espaço aéreo e subterrâneo, tendo como referencial o uso racional e sustentável desses espaços, partindo-se da resolução 237/97 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

O CONVIAS (Departamento de Controle de Uso de Vias Públicas da Secretaria de Vias Públicas) é o regulador, que autoriza a instalação das redes subterrâneas em São Paulo. Criado em 1977, o departamento tem como objetivo organizar e disciplinar as instalações dos serviços de concessionárias nas vias públicas juntamente com os serviços da própria Prefeitura de São Paulo (pavimentação, galeria de águas pluviais etc.), bem como manter cadastros atualizados e executar serviços topográficos para a Secretaria de Vias Pública.

Desde 2009, o departamento dispões do sistema GeoCONVIAS, que é um sistema de informações georreferenciais (mapa e banco de dados) para o gerenciamento das informações de projetos previstos, em análise e aprovados. De acordo com o CONVIAS, o sistema possui atualmente 95% do cadastro das redes subterrâneas de permissionária e estimadamente 30% do cadastro de drenagem. O sistema apoia o departamento na gestão das obras relativas aos equipamentos de infraestrutura urbana nas vias e cria um cadastro único e digital de todos estes equipamentos, o que contribui diretamente para a prevenção de danos e sinistros, bem como para a solução de interferências e remanejamentos.

Investigação e início da obra

Entre as obras de engenharia que mais dependem da geologia, estão as geotécnicas por serem muitas vezes lineares. O conhecimento do modelo geológico é fundamental para o ponto de vista técnico (soluções de métodos construtivos e sistemas de suporte, bem como de cronograma e custos). Por isso, as investigações são essenciais e devem ocorrer de forma abrangente nas fases de projeto antes da licitação. Mas é necessário prever ainda a complementação de investigações durante a obra, com uma contínua atualização do modelo geológico.

Campanhas de investigações com antecedência e em grau de detalhamento compatível com a complexidade da obra ajudam a reduzir os problemas e riscos relacionados às condições geológico-geotécnicas. Os dados devem ser interpretados por profissionais, a fim de gerar os modelos geológicos e geomecânicos, para isso é preciso um planejamento apropriado da obra que englobe recursos e tempo para a fase de investigação. Através de uma investigação superficial, mau planejamento, projeção e execução, as obras subterrâneas podem impactar a superfície e gerar prejuízos temporários ou permanentes.

O gerenciamento da obra pode interferir no prazo e cronograma estabelecido, por exemplo, o custo da construção de um túnel se dá em função da velocidade com que ele é construído. Quanto mais rápido, menor será o custo de sua execução, pois a incidência dos custos de mobilização de equipamentos e de pessoal será ínfima. A gestão eficaz de obras deste tipo deve se traduzir em redução de prazos para a restrição de custos e, mais ainda, pela antecipação dos benefícios econômicos e sociais que resultam com a antecipação da obra.

Arsenio Negro explica quais são os trâmites para o gerenciamento e planejamento do empreendimento no caso específico de um terreno contaminado. “A questão da contaminação deve ser tratada muito antes da obra se iniciar e nunca com a obra iniciada. O problema é o envolvimento dos agentes do Estado responsáveis por isso, sejam eles do Executivo ou do Judiciário. Nos dois casos a velocidade de resposta destes agentes é muito lenta e, como mencionado, os custos e benefícios são muito afetados pela duração da obra. Estes agentes não devem condicionar a gestão da obra, por isto a questão da contaminação deve ser tratada previamente”, ressalta.

Não se inicia um empreendimento subterrâneo em área urbana, sem o pleno conhecimento das condições geológicas, geotécnicas, ambientais e de ocorrência de utilidades enterradas na área de interesse. “O profissional que melhor reúne capacitação técnica para lidar com todos os condicionantes mencionados é o engenheiro geotécnico. Outros profissionais também são de suma importância, mas digo com total convicção que é uma temeridade iniciar uma obra subterrânea sem o envolvimento prévio de engenheiros geotécnicos”, enfatiza o engenheiro Arsenio Negro.

A má execução de uma obra subterrânea pode levar a instabilidades das escavações. Os prejuízos maiores são os acidentes envolvendo pessoas. Há perda de tempo com a interrupção da construção, o que retarda o benefício que vem com a sua conclusão. Além dos custos diretos e indiretos com o acidente. “Os maiores prejuízos estão nas obras de baixa qualidade. Em alguns casos, ocorrem acidentes, que além de todas as consequências nocivas à segurança de operários e de terceiros, causam danos na confiabilidade social. Esse fator é muito perigoso, pois as estruturas subterrâneas são vistas como soluções para os problemas urbanos e como forma de revitalização para os centros citadinos, e caso a sociedade perca a confiança nestas obras, o dano é imensurável”, finaliza o presidente da ABMS, André de Pacheco Assis.

Exemplo de uso do espaço subterrâneo: obras de expansão da linha 5-lilás - Publicado em: 23/12/2013 | Por Dellana Wolney

Saiba como cidades viabilizaram a conversão da fiação aérea por cabeamento enterrado-Redes subterrâneas, energia.

Em 2005, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a lei 14.023, que obriga concessionárias, empresas estatais e operadoras de serviço a enterrarem todo o cabeamento (de rede elétrica, telefonia, televisão e afins) instalado no município. A regulamentação da lei, em vigor desde 2006, prevê o enterramento de 250 km de fios e cabos por ano. Porém, a Grande São Paulo tem enterrados hoje apenas 5% de seus 30 mil km de fios e cabos, o equivalente a 3 mil km, segundo informações da própria concessionária. 

Como um dos maiores entraves da questão é o custo das obras, estimado em cerca de R$ 2 milhões o quilômetro enterrado, a legislação esbarra no impasse entre governo e concessionárias, que não concordam em arcar, sozinhas, com as despesas para a substituição do modelo de distribuição. Embora as redes elétricas subterrâneas tragam benefícios incontestáveis como maior segurança (pois evita acidentes com a fiação elétrica e diminuição de gastos com manutenção), de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a elevação do custo de mudança do sistema impactaria diretamente o valor da tarifa de energia elétrica ao usuário final.

Em âmbito federal, não há legislação específica, no entanto, o programa Monumenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, destina desde 2010, mais de R$ 205 milhões para revitalizar centros históricos Brasil, incluindo o enterramento de cabos elétricos.

Os investimentos do Monumenta estão previstos para serem aplicados até 2013, dentro do orçamento do Plano de Ação de Cidades Históricas (Pach), restritos a pontos específicos de caráter histórico. Especificamente, o enterramento de fiação beneficiou apenas duas cidades das sete selecionadas no Paraná no ano de 2010: Morretes e Antonina. Em Goiás, das cinco cidades selecionadas, três foram beneficiadas com enterramento: Goiânia, Pilar de Goiás e Corumbá de Goiás.

A viabilização do sistema de redes subterrâneas continua em aberto, mas iniciativas realizadas nos Estados de São Paulo e Paraná têm mostrado, seja em parcerias público-privadas ou em investimentos da própria municipalidade, um caminho viável para a viabilização de projetos. Vale lembrar que, em decorrência da Copa de 2014, em várias cidades-sede dos jogos há empresas dispostas a dividir os custos da construção de galerias subterrâneas.

 

A seguir, conheça algumas experiências de instalação de redes subterrâneas de iluminação pública.

 

Rua Oscar Freire (São Paulo)

A rede subterrânea da Oscar Freire, rua comercial tradicional da capital paulistana, contemplou o equivalente a cinco quadras (750 m), com uso de cerca de 9 km de cabos elétricos e dez transformadores. O pro­­­­­jeto consistiu no aterramento dos fios da rede elétrica e demais concessionárias, além da construção de dezcâmaras com trans­formador, configurando dez minissubestações.

Como a rede subterrânea foi solicitada para apenas um trecho da rua, os engenheiros adotaram uma técnica de mergulho com uso de sistema radial, também conhecido como "anel aberto". Segundo Nilson Barone, gerente de gestão subterrânea da AES/Eletropaulo, a Oscar Freire, por ser uma rua comercial, apesar de pequena, apresentou particularidades ainda mais complexas que projetos de maiores extensões, demandando um diagnóstico preciso da distribuição de carga necessária, do cabeamento, entre outros fatores. "A potência dos transformadores aéreos é diferente da potência dos transformadores de uma rede subterrânea. Por isso, foi preciso fazer um cálculo para identificar a quantidade correta de transformadores e a necessidade de potência para alimentar a carga levando em consideração que não teríamos o esforço mecânico do poste", explica.

A instalação da rede subterrânea da Oscar Freire levou aproximadamente um ano para ser concluída. Só as aprovações junto à subprefeitura local, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Secretaria do Meio Ambiente, consumiram em torno de quatros meses. O engenheiro civil coordenador de infraestrutura da AES/Eletropaulo, Moacir Fernandes, enumera as dificuldades encontradas no projeto: espaço reduzido (já que a rua é estreita e com fluxo intenso de carros); prazo restrito (a maior parte das máquinas só podia circular à noite para não atrapalhar o trânsito local); articulação com demais concessionárias de internet e TV paga; e muita reclamação da vizinhança por conta das obras.

Mas talvez tenha sido o financiamento da empreitada o principal desafio. Após dois anos de negociação, o então prefeito de São Paulo, José Serra, e a Associação de Lojistas da Oscar Freire assinaram um convênio, em 2005, para a requalificação do trecho entre as ruas Melo Alves e Padre João Manuel. Alguns patrocinadores foram abordados, mas no fim das contas, os recursos vieram da própria Associação, da Prefeitura de São Paulo e da operadora de cartão de crédito, Amex, que entrou como patrocinadora do projeto.

O custo total da obra para a revitalização da Oscar Freire (incluindo pavimentação de calçadas e outros benefícios de infraestrutura, além do enterramento da rede elétrica) foi de R$ 8,5 milhões: R$ 4,5 milhões vieram da prefeitura, R$ 3,5 milhões da Amex e R$ 1 milhão da Associação Comercial.

RECURSOS
Custo estimado:
 R$ 8,5 milhões
Origem da verba: Associação Comercial dos Lojistas da Oscar Freire, Prefeitura Municipal de São Paulo e Amex, patrocinadora
Ano: 2006

 

Como planejar, cuidados na contratação de projetos de enterramento da rede elétrica

Prazo: varia conforme a extensão das vias a serem convertidas. Em média, os projetos levam de 12 a 18 meses para conclusão.

Especificidades a serem observadas: disponibilidade de fonte de carga para contingenciamento do sistema; densidade e tendência de crescimento de carga; tipologia da(s) via(s) e sua ocupação do subsolo.

Dificuldades comuns à execução das obras: trânsito (restrição de mobilidade de máquinas e equipamentos); horários de execução, devido a ruídos; reclamação de moradores; e interferências subterrâneas já existentes (adutoras, gasodutos, galerias de águas etc.);

Cuidados devem ser tomados: mapear todos os recursos necessários para a fase de execução, tais como suprimentos de fornecedores, materiais, equipamentos; compatibilização de projetos (das empresas que compartilham a rede aérea); gestão de relacionamento com o Poder Público (aprovações de projetos, agente de fiscalização de trânsito etc.) e com moradores/clientes etc.

| Por Lilian Burgardt | Edição 7 - Outubro/2011 |

 

Assine a Newsletter
para receber novidades

Kebos - Furo Direcional®. Todos os direitos reservados 2016